Como Echinacea e Cúrcuma podem ser usadas nas terapias coadjuvantes?
Os nutracêuticos influenciam positivamente a saúde humana e incluem uma variedade de alimentos funcionais, alimentos fortificados e suplementos dietéticos. Nos EUA, estima-se que metade da população adulta consuma suplementos dietéticos com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar [1].
Os suplementos dietéticos à base de plantas, consistindo principalmente de extratos de ervas, são misturas de fitoquímicos que contêm não apenas os principais compostos ativos, mas também constituintes que podem aumentar a atividade farmacológica do princípio ativo principal.
Os componentes ativos em plantas medicinais sempre representaram uma importante fonte de terapêutica, e seus usos na medicina tradicional devido suas propriedades e benefícios à saúde são bem reconhecidos desde os tempos antigos.
Muitos desses produtos naturais, como a Echinacea e a Cúrcuma, têm importantes atividades biológicas que podem ser exploradas na descoberta de novos medicamentos farmacêuticos e terapias coadjuvantes.
Sistema imunológico e imunomoduladores
A resposta imune é tradicionalmente classificada em imunidade inata e adaptativa, abrangendo papéis diferentes e específicos nas respostas de defesa imunológica.
O sistema imunológico inato fornece uma defesa iminente, mas incompleta contra um insulto externo e não tem memória de longo prazo [2]. A resposta imune adaptativa é um sistema antígeno-específico que inclui linfócitos de vida longa (células de memória), e seus receptores altamente especializados [3].
Os sistemas inato e adaptativo não estão estritamente separados, mas trabalham juntos em um sistema de ajuste fino. O sistema inato reconhece a infecção e “alerta” o sistema adaptativo através da apresentação do antígeno.
As células inatas também liberam outros sinais químicos, como citocinas e quimiocinas, para ativar completamente o sistema adaptativo. É importante ressaltar que os linfócitos B e T especializados, conhecidos como células reguladoras, gerenciam e interrompem a resposta imune uma vez que o insulto tenha sido neutralizado, evitando assim uma resposta excessiva do sistema imune [4,5].
Apesar de sua alta eficiência e especificidade, o desequilíbrio das respostas imunes pode ser responsável por uma infinidade de distúrbios, como alergia, doenças autoimunes, imunossupressão e AIDS, e atualmente, os dados epidemiológicos mostram evidências de um aumento das doenças imunológicas.
Nesse contexto, abordagens novas e inovadoras capazes de desenvolver tratamentos mais eficazes são bastante procuradas, pois conseguirão aumentar ou suprimir a resposta imune em doenças mediadas pelo sistema imune,
Fitoquímicos e suas atividades farmacológicas
As pesquisas científicas sobre fitoquímicos constituem uma importante fonte para o desenvolvimento de novas terapias, já que oferecem uma grande diversidade química com atividades farmacológicas diversas.
Alguns extratos vegetais já demonstraram modular a resposta do sistema imune, e numerosos fitoquímicos, incluindo polifenóis, polissacarídeos, flavonoides e alcaloides, têm sido estudados por suas propriedades imunomoduladoras [6,7].
Echinacea sp.
Echinacea é um gênero de nove plantas herbáceas da família das margaridas (Asteraceae; Compositae), originário da América do Norte, e as preparações de Echinacea pertencem às drogas botânicas mais vendidas nos EUA e Europa [8].
As espécies, partes e preparações da Echinacea têm diferentes usos. Em particular, três espécies de Echinacea, nomeadamente E. purpurea, E. angustifolia e E. pallida, têm sido utilizadas na medicina como um tratamento para infecções do trato respiratório e condições inflamatórias, incluindo resfriado comum, tosse, bronquite e inflamação da boca e faringe [9].
Efeitos moduladores da Echinacea sobre o sistema imunológico inato
A Equinacea é mais conhecida como imunoestimulante, e há uma série de estudos que apoia esses efeitos imunomoduladores, com aumentos na imunidade inata e específica.
Estudos pré-clínicos e clínicos sugerem que a Echinacea estimula as funções imunológicas tanto em animais e indivíduos saudáveis como em imunossuprimidos [10,11].
Num artigo publicado na revista ScienceDirect, os autores utilizaram leucócitos de indivíduos normais ou de pacientes com AIDS, ou com a síndrome da fadiga crônica, tratados com concentrações crescentes de extratos de Echinacea purpurea e Panax ginseng [12]
O tratamento com extratos de Echinacea provocou aumento na atividade de fagocitose pelos macrófagos, na produção de citocinas (aumento de TNF-α, IL-1, IFN-β), assim como aumento da mobilidade de leucócitos, bem como a ativação de células natural killer [12].
Num outro estudo, publicado na revista Genomics, os autores utilizaram células dendríticas humanas (DCs), tratadas por 24 h com extratos de plantas, caule mais folhas, flores e raízes de E. purpúrea [13].
Os resultados apresentaram níveis reduzidos de HLA-DR e expressão de CD32 de uma maneira dependente da dose em comparação com as amostras de células de controle (não tratadas), sugerindo que extratos de plantas inteiras e caule mais folhas conseguem modular a diferenciação das células DC, inibindo a maturação destas células, assim como modulam a expressão de genes específicos relacionados ao sistema imunológico em DC [13].
Cúrcuma: nutracêutico de ouro com multialvos
Vários dados pré-clínicos e clínicos mostraram a eficácia da Cúrcuma na prevenção e tratamento de várias doenças humanas, incluindo câncer, doenças cardiovasculares, inflamatórias, metabólicas, doenças neurológicas e de pele [14].
Entre as diferentes propriedades referidas à curcumina, um dos mais estudados é o perfil anti-inflamatório, que pode ser útil tanto em casos agudos como inflamação crônica.
As habilidades imunomoduladoras da Cúrcuma surgem de sua interação com vários imunomoduladores, incluindo não apenas componentes celulares, como células dendríticas, macrófagos, e linfócitos B e T, mas também componentes moleculares envolvidos nos processos inflamatórios, como citocinas e vários fatores de transcrição com suas vias de sinalização.
A Cúrcuma inibe a função imunoestimuladora das células dendríticas e interfere na maturação das células mieloides.
Esses efeitos estão relacionados com a supressão da expressão de CD80 e CD86, duas proteínas de membrana que fornecem sinal estimulador necessário para a ativação de células T, e o comprometimento na produção de citocinas pró-inflamatórias (IL-12) devido à inibição da ativação de MAPK e translocação do NF-κB [15]
Em suma, os produtos naturais oferecem muitas alternativas para a manutenção da saúde e tratamento de doenças associadas ao sistema imunológico.
Essas abordagens podem ser promissoras, permitindo o desenvolvimento de novos tratamentos, que devem ser validados por meio de trabalhos pré-clínicos e ensaios clínicos.
Neste contexto, a Echinacea e Cúrcuma são os fitoquímicos com grandes capacidades de melhorar os sintomas clínicos dos distúrbios inflamatórios.
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Referências:
[1] Brown, A.C. An overview of herb and dietary supplement efficacy, safety and government regulations in the United States with suggested improvements. Part 1 of 5 series. Food Chem. Toxicol. 2017, 107, 449–471.
[2] Netea, M.G.; Quintin, J.; van der Meer, J.W.M. Trained immunity: A memory for innate host defense. Cell Host Microbe 2011, 9, 355–36.
[3] Pancer, Z.; Cooper, M.D. The evolution of adaptive immunity. Annu. Rev. Immunol. 2006, 24, 497–518.
[4] Mauri, C.; Bosma, A. Immune regulatory function of B cells. Annu. Rev. Immunol. 2012, 30, 221–241.
[5] Josefowicz, S.Z.; Lu, L.-F.; Rudensky, A.Y. Regulatory T cells: Mechanisms of differentiation and function. Annu. Rev. Immunol. 2012, 30, 531–564.
[6] Ferreira, S.S.; Passos, C.P.; Madureira, P.; Vilanova, M.; Coimbra, M.A. Structure–function relationships of immunostimulatory polysaccharides: A review. Carbohydr. Polym. 2015, 132, 378–396.
[7] Gandhi, G.R.; Neta, M.T.S.L.; Sathiyabama, R.G.; de Souza Siqueira Quintans, J.; de Oliveira e Silva, A.M.; de Souza Araújo, A.A.; Narain, N.; Júnior, L.J.Q.; Gurgel, R.Q. Flavonoids as Th1/Th2 cytokines immunomodulators: A systematic review of studies on animal models. Phytomedicine 2018, 44, 74–84.
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[10] Bałan, B.J.; Sokolnicka, I.; Skopi ´nska-Rózewska, E.; Skopi ´nski, P. The modulatory influence of some ˙Echinacea-based remedies on antibody production and cellular immunity in mice. Cent. Eur. J. Immunol. 2016, 1, 12–18.
[11] Melchart, D.; Walther, E.; Linde, K.; Brandmaier, R.; Lersch, C. Echinacea root extracts for the prevention of upper respiratory tract infections: A double-blind, placebo-controlled randomized trial. Arch. Fam. Med. 1998, 7, 541–545.
[12] See DM, Broumand N, Sahl L, Tilles JG. In vitro effects of echinacea and ginseng on natural killer and antibody-dependent cell cytotoxicity in healthy subjects and chronic fatigue syndrome or acquired immunodeficiency syndrome patients. Immunopharmacology. 1997 Jan;35(3):229-35. doi: 10.1016/s0162-3109(96)00125-7. PMID: 9043936.
[13] Wang CY, Chiao MT, Yen PJ, Huang WC, Hou CC, Chien SC, Yeh KC, Yang WC, Shyur LF, Yang NS. Modulatory effects of Echinacea purpurea extracts on human dendritic cells: a cell- and gene-based study. Genomics. 2006 Dec;88(6):801-808. doi: 10.1016/j.ygeno.2006.08.011. Epub 2006 Sep 29. PMID: 17011161.
[14] Kunnumakkara, A.B.; Bordoloi, D.; Padmavathi, G.; Monisha, J.; Roy, N.K.; Prasad, S.; Aggarwal, B.B. Curcumin, the golden nutraceutical: Multitargeting for multiple chronic diseases. Br. J. Pharmacol. 2017, 174, 1325–1348.
[15] Kim, G.-Y.; Kim, K.-H.; Lee, S.-H.; Yoon, M.-S.; Lee, H.-J.; Moon, D.-O.; Lee, C.-M.; Ahn, S.-C.; Park, Y.C.; Park, Y.-M. Curcumin inhibits immunostimulatory function of dendritic cells: MAPKs and translocation of NF-kappa B as potential targets. J. Immunol. Baltim. Md 1950 2005, 174, 8116–8124.

