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Potencial terapêutico da Spirulina platensis no diabetes do tipo 2

Potencial terapêutico da Spirulina platensis no diabetes do tipo 2

O diabetes é uma condição de saúde crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e sua prevalência tem aumentado significativamente nas últimas décadas, tornando a doença em um grave problema de saúde pública global. 

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com diabetes aumentou de 108 milhões em 1980 para 422 milhões em 2014, sendo que países de baixa e média renda apresentam maior prevalência da doença [1].

O diabetes é considerado também uma das principais causas de cegueira, insuficiência renal, ataques cardíacos, derrame e amputação de membros inferiores. Inclusive, em 2019, o diabetes e a doença renal devido ao diabetes causaram cerca de 2 milhões de mortes [1].

Felizmente, o diabetes pode ser tratado e suas consequências evitadas ou retardadas com a adoção de dieta adequada, prática de atividade física, uso de medicamentos para o controle glicêmico, triagem regular e tratamento de complicações.

A metformina é um dos principais fármacos anti-hiperglicêmico utilizado no tratamento do diabetes do tipo 2 [2]. Entretanto, pesquisadores têm se debruçado em descobrir fármacos à base de extrato de plantas ou outros elementos naturais, na premissa de que esses compostos podem ser menos lesivos ao paciente e servir, ao menos, como terapia adjuvante.

Dentre as substâncias estudadas, podemos destacar a Spirulina platensis (S. platensis) com um excelente potencial para o tratamento do diabetes do tipo 2.

Características da Spirulina platensis

A S. platensis é uma alga verde-azulada pertencente à família das cianobactérias, rica em compostos bioativos, como proteínas, lipídios, carboidratos, minerais (zinco, magnésio, manganês, selênio), pigmentos (ficocianina, β-caroteno), riboflavina, tocoferol e ácido α-linoleico [3,4].

Estudos científicos apontam que a S. platensis pode regular o metabolismo glicêmico no diabetes, bem como na hipercolesterolemia. Além disso, é demonstrado que a S. platensis apresenta efeitos antioxidantes e propriedades de eliminação de radicais livres, fornecendo proteção significativa a vários órgãos e melhorando também o efeito de fármacos e agressões tóxicas induzidas por produtos químicos em animais de laboratório [5,6].

Potencias farmacológicos da S. platensis

Pouco se sabe sobre o mecanismo de ação da S. platensis em indivíduos acometidos por doenças cardiometabólicas. Porém, um fator chama a atenção: muitas dessas doenças, como a hipertensão, dislipidemia, diabetes, aterosclerose, tem em comum o aumento de espécies reativas de oxigênio, levando o organismo a um aumento do estresse oxidativo.

A S. platensis parece possuir o potencial de regular o estado redox do organismo [7]. Sugere-se que esses efeitos antioxidantes são provenientes da ficocianina, β-caroteno e outras vitaminas e minerais contidos na alga [8,9].

Outras pesquisas indicam que a S. platensis é eficaz na prevenção de intoxicação hepática causada por uso de inseticidas (deltametrina), em parte, por suas ações antioxidantes [9].

Estudos em humanos com sobrepeso ou obesidade, compararam o efeito da suplementação de 2 g/dia de S. platensis em conjunto com dieta de restrição calórica ou restrição calórica isolada, avaliando também os níveis de lipídios séricos, apetite, sensibilidade a proteína C-reativa e níveis de adiponectina [10].

Os principais resultados dessa pesquisa destacam que a S. platensis potencializou a perda de peso, gordura corporal e circunferência da cintura nos indivíduos suplementados. A S. platensis também melhorou os níveis de colesterol total e sensibilidade à proteína C-reativa [10].

Benefícios da Spirulina platensis no diabete do tipo 2

Como já sabemos, a S. platensis atua, principalmente, na regulação dos níveis de estresse oxidativo no organismo, sendo que uma das características do diabetes do tipo 2 é justamente a elevação desses níveis. Logo, acredita-se que a alga poderia auxiliar no tratamento da doença.

Em um ensaio clínico duplo-cego, randomizado, pacientes diabéticos de ambos os sexos com faixa etária entre 25 a 50 anos foram randomizados para o grupo controle (que recebeu 2 g/dia de substância placebo) ou grupo intervenção (que recebeu 2 g/dia de S. platensis). O estudo teve duração de 3 meses [11].

Foi avaliado o nível de proteína glicada no início e no final do ensaio, além do nível de glicose presente no sangue, perfil lipídico e triglicerídeos. Os principais resultados demonstram que o grupo intervenção teve uma significativa redução nos níveis de hemoglobina glicada na comparação intragrupo antes e depois, e em comparação ao grupo controle.

O mesmo resultado foi verificado nos níveis de glicose sanguínea. Além desses resultados, o grupo intervenção se mostrou menos aterogênico, obtendo redução dos triglicerídeos, LDL-C, e colesterol total [11].

Em outra pesquisa, cientistas sugerem que os efeitos anti-hiperglicêmicos são mediados, pelo menos em parte, pela estimulação da secreção de insulina pelas células β-pancreáticas, sendo corroborado por um aumento de insulina sérica e pancreática após 28 dias de suplementação. De forma geral, demonstrou-se que a S. platensis diminui a glicose sanguínea, aumenta a motilidade intestinal, reduz a absorção de glicose gastrointestinal e melhora os níveis de insulina plasmática e pancreática [12].

Em resumo, a literatura apresenta resultados favoráveis ao uso de S. platensis para controle da diabetes do tipo 2. Vale reforçar que seu uso deve ser condicionado à terapia medicamentosa padrão, sendo a utilização da alga apenas como terapia adjuvante.

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Referências:

[1] WHO. Diabetes. Who 2023; Im Internet: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/diabetes; Stand: 13.06.2023

[2] Aissaoui O, Amiali M, Bouzid N, et al. Effect of Spirulina platensis ingestion on the abnormal biochemical and oxidative stress parameters in the pancreas and liver of alloxan-induced diabetic rats. Pharm Biol 2017; 55: 1304–1312. doi:10.1080/13880209.2017.1300820

[3] Göksan T, Kılıç C. Growth and biochemical composition of Spirulina platensis Geitler in summer period under the conditions of Çanakkale, Turkey. Asian J Chem 2009; 21: 4947–4950

[4] Yang L, Zhang L-M. Chemical structural and chain conformational characterization of some bioactive polysaccharides isolated from natural sources. Carbohydr Polym 2009; 76: 349–361. doi:10.1016/j.carbpol.2008.12.015

[5] Pankaj PP, Varma MC. Potential role of spirulina platensis in maintaining blood parameters in alloxan induced diabetic mice. Int J Pharm Pharm Sci 2013; 5: 450–456

[6] Abdel-Daim M, El-Bialy BE, Rahman HGA, et al. Antagonistic effects of Spirulina platensis against sub-acute deltamethrin toxicity in mice: Biochemical and histopathological studies. Biomed Pharmacother 2016; 77: 79–85. doi:10.1016/j.biopha.2015.12.003

[7] Wu Q, Liu L, Miron A, et al. The antioxidant, immunomodulatory, and anti-inflammatory activities of Spirulina: an overview. Arch Toxicol 2016; 90: 1817–1840. doi:10.1007/s00204-016-1744-5

[8] Upasani CD, Balaraman R. Protective effect of Spirulina on lead induced deleterious changes in the lipid peroxidation and endogenous antioxidants in rats. Phyther Res 2003; 17: 330–334. doi:10.1002/ptr.1135

[9] Abdel-Daim MM, Abuzead SMM, Halawa SM. Protective Role of Spirulina platensis against Acute Deltamethrin-Induced Toxicity in Rats. PLoS One 2013; 8: e72991. doi:10.1371/journal.pone.0072991

[10] Yousefi R, Mottaghi A, Saidpour A. Spirulina platensis effectively ameliorates anthropometric measurements and obesity-related metabolic disorders in obese or overweight healthy individuals: A randomized controlled trial. Complement Ther Med 2018; 40: 106–112. doi:10.1016/j.ctim.2018.08.003

[11] Karizi S rajabzadeh, Armanmehr F, Azadi HG, et al. A randomized, double-blind placebo-controlled add-on trial to assess the efficacy, safety, and anti-atherogenic effect of spirulina platensis in patients with inadequately controlled type 2 diabetes mellitus. Phyther Res 2023; 1435–1448. doi:10.1002/ptr.7674

[12] Hannan JMA, Ansari P, Azam S, et al. Effects of Spirulina platensis on insulin secretion, dipeptidyl peptidase IV activity and both carbohydrate digestion and absorption indicate potential as an adjunctive therapy for diabetes. Br J Nutr 2020; 124: 1021–1034. doi:10.1017/S0007114520002111