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Cuidados Estética

Título: Triancinolona no tratamento injetável de alopecias

Título: Triancinolona no tratamento injetável de alopecias

A triancinolona acetonida é um corticosteroide sintético amplamente utilizado em dermatologia, incluindo aplicações específicas no manejo de doenças do couro cabeludo. Sua aplicação intralesional e, em menor escala, intramuscular, tem sido empregada com sucesso em diferentes tipos de alopecia, com destaque para a alopecia areata localizada e a alopecia por tração. Sua eficácia e segurança têm sido tema de diversos estudos clínicos, que contribuem para o aperfeiçoamento dos protocolos terapêuticos [1].

Uso da triancinolona intralesional em alopecia areata

A alopecia areata é uma condição autoimune caracterizada pela perda de cabelos em áreas bem delimitadas, podendo evoluir para formas mais extensas. A via intralesional de administração da triancinolona acetonida é considerada o tratamento de primeira escolha para casos localizados da doença. Essa abordagem permite uma concentração elevada do fármaco diretamente no local afetado, minimizando efeitos sistêmicos [2].

Estudos demonstram que concentrações de 2,5 mg/mL a 10 mg/mL são eficazes para promover recrescimento capilar. Uma resposta dose-dependente foi observada, sendo que concentrações mais altas, como 10 mg/mL, foram associadas a uma maior taxa de resposta. No entanto, essas concentrações elevadas também aumentaram a ocorrência de efeitos adversos locais, como atrofia cutânea e telangiectasias. Dessa forma, o início do tratamento com 2,5 mg/mL, com possibilidade de escalonamento gradual, tem sido sugerido como estratégia para equilibrar eficácia e segurança [2].

Uma análise retrospectiva com mais de 100 pacientes reforçou a eficácia da triancinolona intralesional, especialmente com aplicações mensais em intervalos de quatro a seis semanas. A resposta ao tratamento, medida por dermatoscopia e avaliação clínica direta, foi expressiva nas primeiras sessões, sugerindo que a terapia localizada é capaz de interromper o processo inflamatório autoimune que afeta os folículos pilosos [2].

Aplicação da triancinolona na alopecia por tração

A alopecia por tração, condição associada à tração contínua dos cabelos, pode se beneficiar da aplicação intralesional de triancinolona acetonida, especialmente em fases iniciais da doença. Embora a literatura sobre esse uso seja mais limitada, relatos de séries de casos indicam aumento da densidade capilar e estabilização da perda de fios. Essa resposta está relacionada à ação anti-inflamatória da triancinolona, que atua no microambiente inflamatório perifolicular antes que haja fibrose irreversível [1].

Nesses casos, a administração de 5 mg/mL em sessões mensais tem demonstrado segurança e boa tolerabilidade, com os principais efeitos adversos sendo dor leve no local da aplicação e atrofia cutânea transitória. A continuidade do tratamento e o monitoramento regular são essenciais para avaliar o risco-benefício em longo prazo [1].

Triancinolona intramuscular em casos refratários

Para pacientes com alopecia areata extensa ou recalcitrante, a via intramuscular da triancinolona acetonida pode ser considerada. Doses de 20 a 40 mg, administradas a cada quatro a seis semanas, têm sido associadas a taxas de recrescimento capilar de até 80% em determinados estudos clínicos [2]. Essa abordagem é particularmente útil quando a aplicação intralesional não é factível devido à extensão das lesões.

Contudo, o uso sistêmico da triancinolona exige cautela. Efeitos adversos como erupções acneiformes e, em casos mais raros, supressão do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) foram observados, especialmente em pacientes pediátricos ou em regimes prolongados. Portanto, a escolha da via intramuscular deve considerar o perfil de risco individual e a gravidade clínica da doença [2].

Triancinolona tópica e limitações em alopecias

Embora existam formulações tópicas da triancinolona acetonida amplamente utilizadas para o tratamento de dermatoses inflamatórias do couro cabeludo, como dermatite seborreica e psoríase, sua indicação formal para alopecias é limitada. A ação tópica pode ser insuficiente para penetrar adequadamente nas camadas mais profundas do folículo piloso, especialmente em doenças com componente inflamatório intenso e perifolicular [1].

Além disso, os efeitos adversos do uso tópico prolongado, como atrofia cutânea, hipopigmentação e foliculite, tornam essa via menos atrativa para uso contínuo. O risco de absorção sistêmica e consequente supressão do eixo HHA, embora raro, pode ser aumentado pelo uso em grandes áreas ou sob oclusão [1].

Estratégias para otimizar o uso clínico

A literatura revisada propõe protocolos que buscam maximizar a eficácia da triancinolona intralesional, minimizando efeitos adversos. O uso de concentrações crescentes (regime step-up), avaliando a resposta clínica após cada ciclo, mostrou-se eficiente para casos refratários. Em geral, a resposta ao tratamento ocorre dentro dos primeiros dois a três ciclos, e a ausência de melhora após esse período pode indicar necessidade de mudança na estratégia terapêutica [2].

A avaliação dermatoscópica tem papel importante na identificação de sinais precoces de recuperação folicular, como pontos amarelos e crescimento de fios finos. Essa ferramenta também permite diferenciar alopecias cicatriciais de não cicatriciais, auxiliando na decisão sobre o uso de corticosteroides como a triancinolona [2].

Considerações finais

A triancinolona acetonida permanece como um recurso terapêutico relevante na prática dermatológica capilar. Seu uso intralesional é amplamente validado em alopecia areata localizada, com resultados positivos em curto e médio prazo. Em alopecia por tração, os dados apontam para benefícios em fases iniciais, enquanto a via intramuscular pode ser indicada em casos extensos com falha terapêutica anterior [1][2].

Apesar de seu amplo uso, a escolha da concentração, da via de administração e da frequência de aplicação deve ser guiada por critérios clínicos rigorosos, considerando o risco de efeitos adversos e a necessidade de monitoramento contínuo. O uso de triancinolona tópica, por sua vez, deve ser reservado a dermatoses inflamatórias do couro cabeludo, dada a escassez de evidências sobre sua eficácia em alopecias [1].

Assim, a abordagem com triancinolona deve ser individualizada e integrada a um plano terapêutico que contemple as causas subjacentes da perda capilar, o perfil do paciente e a expectativa de resposta clínica.

Referências
[1] Rajan M B, Bhardwaj A, Singh S, Budania A, Bains A, Thirunavukkarasu P, Kumar-M P. Identification of novel step-up regimen of intralesional triamcinolone acetonide in scalp alopecia areata based on a double-blind randomized controlled trial. Dermatol Ther. 2021 Jan;34(1):e14555. doi: 10.1111/dth.14555. Epub 2020 Nov 30. PMID: 33210434.
[2] Chanprapaph K, Pomsoong C, Kositkuljorn C, Suchonwanit P. Intramuscular Corticosteroid Therapy in the Treatment of Alopecia Areata: A Time-to-Event Analysis. Drug Des Devel Ther. 2022 Jan 7;16:107-116. doi: 10.2147/DDDT.S342179. PMID: 35027820; PMCID: PMC8752075.